segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PRECIOSA CRIATURA

salve belezas de plantão
criaturas de preciosas
arapucas doiradas a fiar
magas do bote no coração

para aquém do meu nariz
é só o que pode um dó
de peito nu cara limpa

pois esperto é o chinfra
falante,sacana e mocó
que olhaolho da bruaca

salta de banda em banda
canta longe da piveta
para não acordar mijado

abjeta se diz bacana
falacaga regras e afins
filosofa em tupiniquim
teses casca da banana

de cima do seu capitel
na reputação de rapina
posando tola de menina
não passa de uma cascavel

por direito mora abaixo
do mais baixo doentio
sua cama num covacho
sua alma na afasia

aqui findo a homenagem
quase enrugado em pranto
como vidro por punição
mas não tem contradição

cuidado sempre dobrado
para bom e safo cantador
não se engane com sereias
elas encantam pela dor

sexta-feira, 15 de maio de 2009

NOS OLHOS MEUS (Milton De Biasi / Tao Castro)

não cabe em mim
não é silêncio
só sabe enfim
como é imenso

é do seu jeito
tem seu perfil
mais que perfeito
se parte em mil

não some,não grita
não é de nimguém
apenas levita
e me mantém

não posso guardar
nasceu prá você
só posso entregar
ao anoitecer

é teu farol
regando o breu
raios de sol
nos olhos meus

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SEM PORTEIRA (Milton De Biasi / Tao Castro)

LÁ NO CANTO DO MUNDO
BEM PRA LÁ DO ALÉM RIO
LÁ NO MEIO DO OCO
MORA UM ECO DE ARREPIÁ

GENTE QUE ESFOLA UM ASSUNTO
MALTA QUE ASSUNTA O DEFUNTO
NÉZINHO QUE CONTA PRO MUNDO
QUE O NOVO TÁ VINDO E VAI TROPELÁ

EITA, GENTE BESTA !
CHEIA DE TRELA,DE TRINCA
NA SÉ,NA MADEIRA
EITA,GENTE BOA !
A PRAÇA TÁ CHEIA DE MOÇA
VEM BEIJÁ VEM BRINCÁ

PELAS ANTENAS DO RÁDIO
NOVAS ONDAS NAVEGAM
ATRÁS DE TODA GENTE ,
SANTO , DEMO OU CAPIAU
PELOS OUVIDOS CAVALGAM
PELAS BOCAS PASSEIAM
TANTA NOTÍCIA QUE ENTORTA
FOFOCA QUE ENFORCA
ASSIM NÃO VAI DÁ

EITA, GENTE BESTA !
CHEIA DE TRECO,DE TRINCO
NO PÉ,NA PORTEIRA
EITA, GENTE BOA !
CAFÉ CHEI DE AÇUCAR
AMOR,FUBÁ, CAÇOÁ

EU Q

Eu que nasci
Eu que fui indo
Eu que certinho desdobrei
mil caminhos
Eu que cresci pra dentro meu lastro
e pra fora sem rastro
Eu que vacilei,vacilei,vacilei
Eu que ,eu que ,eu que
fui indo,fingindo,matando
o tempo com a mão
sêca árvore sem folhas
que procura o sol como saída
esgarçando braços
até sumir-me.
Quando velho me olhei
enraizado,ileso e pai
meu movimento possível
é tocar o céu
tangir algum pássaro
prenhar um cúmulo
então que venham!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

QUARENTA E SETE PELES

Cheguei depois
depois do depois
um penúltimo
um talvez
nas mãos
vinte e seis letras
quarenta e sete peles
e seus nomes todos
na língua
carrapichos,flores,tinta , régua e navalha
meus sapatos perdi
meus amores teci
meu corpo nada pede
nú e afim só
neste capitel de gás
acima das consciências
planto minha alforria
agora é a prova do nove
do dez,do mil
o que virá, virá vivo
mágico de sons e folias diversas
cheguei depois sim
porque sim!
e porque não?
porque o onibus não veio
porque você me deixou
porque nada sei que não perca a validade
porque meu vinho tava bom
e a conversa fiada
porque o vento atrasou
porque não encontrei
porque gritei quarenta e sete vezes
e só o pó suspenso das palavras
ao sol dos trópicos
me entregou
goiva e martelo
preparem-se !
nada trago
nada ao cubo

quinta-feira, 15 de maio de 2008

OCASO

Amei
Por acaso te amei
Por acaso inda guardo
Por acaso em meu peito
A marca
O arraso fecundo
A tristeza profunda
Dessa dor mal traçada

Quando a porta bateu
Nossa foto caiu
Nosso amor despencou
Era tudo que eu queria então
Mas, agora a solidão
Acordou

Chorei
Por acaso chorei
Por acaso no quarto
Por acaso a cama
Molhei
Os lençois de cetim
Nossos vincos sagrados
Nossas juras secretas

Quando a porta bateu
Nossa foto caiu
Nosso amor despencou
Se o romance não foi de festim
Pode ser um belo fim
Voltar pra mim
Você voltar pra mim